O mundo por fora desta janela fechada no meu quarto vai girando, seguindo seu curso, conforme a vontade do destino. Lá fora uma efervescência de fatos, ora sincronizados, ora na mais perfeita bagunça; os famosos choques da vida.
O jogo da vida, além desta janela, nunca pára. São pessoas ganhando e perdendo. Alguns, experientes, sábios pelos amargos frutos da vida, vão colecionando fragmentos de vitórias aqui e ali. Outros, afoitos, apostam tudo por tão pouco, sem noção do preço a pagar. Muitos preferem sequer jogar, escondem-se em qualquer beco da vida, achando-se seguros. Mas não há lugar seguro. Porque tudo é um jogo. Todos têm que pegar suas fichas e arriscar, administrar suas apostas; ficar inerte é acabar se tornando uma aposta na arriscada mão de um jogador instável; o destino.
Mesmo com as cortinas fechadas, este quarto não está de todo na escuridão completa. O astro rei, querendo alegrar ou lançar desejos de curiosidade em minha alma, lança fios de luzes que vão ondulando com o movimento lento das cortinas. De fato o sol nasceu para todos. Mas aqui, neste minúsculo espaço, onde meu mundo é alicerçado na mais galopante imaginação, as coisas simplesmente não acontecem. É uma marcha em círculo. Tudo passa, tudo volta, e ainda estou no mesmo ponto de partida.
Levado pelos fios delicados da luz, abro a janela timidamente e deixo entrar o ar da vida que vem de fora. Respiro profundamente. Sinto as mais variadas sensações deste ar cosmopolita. Tem cheiro de medo mesclado com luta; alegria com tristeza; confiança com traição; vitórias com quedas; fascinação com terror; ajuda com egoísmo. Porém, o que mais me intrigou foi a sensação do amor que encheu meus pulmões e invadiu minha alma sem contrapeso algum. Não estava acompanhado de dissabor, intriga, perfídia ou qualquer outra mazela que tanto obscurece a vida.
Agora posso compreender que para o amor real, aquele amor incondicional, nada pode ser páreo, tão grande ou profundo quanto ele, o amor.
Recolho as cortinas. Abro firmemente as janelas e deixo a vida entrar efusivamente neste quarto. Não serei aposta. Serei um jogador que vai para o jogo. Minhas cartas são poucas, mas valiosas. São cartas de sede de saber que irão iluminar o que estiver escuro; cartas de compreensão, que irão me aproximar mais da vida, das pessoas; e uma carta que é a mais valiosa de todas, a carta do amor, de valor inestimável, que me fará conhecer o verdadeiro EU e o sentindo da vida.
domingo, 1 de maio de 2011
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