quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Guerreiro...Fé...


Vejo aquele guerreiro caminhando; seus passos são lentos. Parece sem destino e por vezes cambaleia. Sua armadura suja e arranhada mostra que sofrera um grande revés. Atordoado, se mantém de pé com muito sacrifício. Seu caminho incerto serpenteia por vasto terreno arenoso. O horizonte em tom cinza indica forte tempestade a sua espera. Chuva e frio o acompanham. Sente-se só e inseguro. Vozes sinistras blasfemam contra sua honra e agridem sua consciência. Sente-se sufocado. De tantas batalhas que participara, nunca uma fora tão arrasadora como aquela. Tem vontade de gritar. Seus olhos marejam. O guerreiro está ferido. O punhal desferido pela sórdida traição em suas costas faz sangrar arrependimento e revolta. Sua única arma, o orgulho, era por demais pesada para mantê-la erguida naquela sofrível caminhada. Deixou-a no chão e seguiu. Mas não suportando a dor, o guerreiro prostrou-se e escondeu seu rosto entre as mãos calejadas e sujas das areias das aventuras. Naquele momento, seu grito rouco se fez ecoar por todos os lados. Chegara o momento de pedir ajuda. Agora braços estendidos ao céu, clamava misericórdia e perdão pelas lutas em vão que tanto o agrediram e o cegaram da vitória que tinha nas mãos. Pediu perdão. Seus pedidos eram com tamanha intensidade e sinceridade que agora se via sem forças. Naquele momento a fraqueza fora mais forte e seu corpo tombou por terra. Desfalecera. Mas ali, caído na areia molhada, sob intenso frio, seu corpo recebe uma luz fina, mas luminosa o bastante para aclarar tudo em volta. Aquela luz era quente e reconfortante. Era a luz que vinha atender um chamado sincero, feito do fundo do coração. Era o clamor de um guerreiro verdadeiramente arrependido. Instantes depois, recobrando os sentidos, sente-se melhor para se levantar e continuar sua caminhada. Olhou em volta, nada mudara. O frio era intenso, a chuva incessante e o horizonte ainda sombrio, mas algo inexplicável o fazia, naquele momento, não temer a caminhada. Algo agora o mantinha erguido. E seguiu seu caminho. Sem que percebesse, uma luz o seguia vigilante. Era a
luz divina, que naquele momento estaria ao seu lado para não mais deixá-lo tombar. Era o guerreiro em sua jornada, difícil e por vezes angustiante, mas que agora era velada pela luz da fé. E lá ia o guerreiro, com a certeza que logo após aquele horizonte algo de sublime o aguardava, para isso era manter o prumo e sustentar a sua inabalável fé

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