sábado, 30 de abril de 2011

SÓ POR ESCREVER...

Se deixe levar pela poesia.
Sinta a leveza de espírito ao se aproximar de seu interior.
Respire amor. Procure sabedoria.
Trilhe o caminho da curiosidade.
Busque sempre mais perguntas.
Mantenha o olhar sempre atento, cada movimento a sua volta pode ser uma pista.
Diante da arrogância alheia, não perca seu precioso tempo em embates.
Deixe pensar que são superiores aqueles que gritam para tentar valer sua opinião.
Rir de si mesmo é de um prazer indescritível.
Não se apresse, antes, se apure.
Nos momentos bons, aproveite-os. Nos momentos tormentosos, silencie e ore.
É na humildade que reside o poço da sabedoria espiritual.
Na arrogância cavamos um buraco que impede ver o horizonte.
A felicidade pode estar em todos os cantos, mas para tê-la é preciso saber enxergá-la.
Enfrentar os problemas de frente é sempre um ato inteligente.
Fugir dos problemas será um remédio de pouca eficácia; cedo ou tarde ele voltará, reclamando solução.
Distribuir amor sem se importar em retribuição é sinal que sua alma está em sintonia direta com o mestre Jesus Cristo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

RESSURGINDO DAS CINZAS

No ápice da dor que aquela sinistra madruga me cobriu e desnudou o antigo e temido pesadelo, que invadiu meu mundo real, cuspindo no meu orgulho, que me deixou ao chão como um pobre desgraçado entregue a derrota, sei que anjos céleres vieram em meu socorro e com suas mãos de luzes procuraram aliviar o sofrimento que jorrava do meu peito descontroladamente. O Pai Divino, em sua misericórdia infinita, tocou o coração de uma pessoa que tal como um anjo na terra veio também em meu auxílio. Naquela madrugada sinistra e fria, ela veio, ficou comigo, quis expulsar minha dor. Dela recebi um abraço, que era o abraço de Deus. Seu olhar de compreensão era o olhar de Deus. Suas palavras de conforto eram as palavras de Deus. Suas orações eram o bálsamo de Deus aliviando minha ferida.
A pequena distância que me separava do abismo profundo de sofrimento me dava a certeza do fim. As algemas do medo e as vestes da covardia eram por demais fortes pra que minha angustiada alma pudesse se ver livre. Estava entregue aos meus ocultos inimigos. Esses mesmos inimigos vilmente me pegaram no descanso do meu sono, entrando pela porta do meu lado mais sujo, e me feriram mortalmente. O escárnio foi grande. Para eles minha queda era questão rápida, bastava que eu me levasse pela covardia, fugir buscando o beco sem saída. Como eles queriam ter o poder de controlar minhas mãos!
Mas eles não contavam com o meu medo. Medo sim. Mas foi através do medo que a força Divina agiu em mim. Foi o medo que cerrou as portas de uma queda e me fez ressurgir das cinzas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Tempo...

O tempo pode passar lento ou rápido, depende da circunstância da vida que nos encontramos. Naquele momento da vida onde a angústia parece ser a pauta diária, o relógio faz seu percurso circular tão vagarosamente que ficamos com a impressão que o tempo parou. Por outro lado, quando a harmonia e os sonhos realizados andam juntos em determinada fase da vida, o tempo toma uma velocidade como se os ponteiros estivessem sempre se adiantando mais do que deveriam. É o destino como querendo nos ensinar o jogo da vida. Na dor é que apuramos nossa sensibilidade, crescemos humanamente. Pra esse ensinamento, demanda tempo, por isso o lento compasso das horas. Na alegria por vezes nos perdemos, deixamos comandar nosso ego, e por isso o tempo é curto; é necessário.
Mas tudo na vida passa, não há nada que seja duradouro. A vida se extingue.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SINCERO ARREPENDIMENTO

Valorosos guerreiros, o fim não se fará demorar. Para vocês, poucos sobreviventes, mas leais e incansáveis lutadores, digo de coração em prantos que nossa queda é inevitável. Bem sei que fui o único causador para um cenário tão desolador. Sob meu comando vocês encontraram a desventura, foram entregues ao inimigo impiedoso e sofreram vagarosamente uma crueldade inimaginável. Não dei ouvido aos clamores de todos vocês quando pediam providências para a aproximação do perigo. Vocês souberam defender seus postos, mas diante da invasão sempre constante o enfraquecimento de vocês bravos guerreiros não demorou. E aí começou uma derrota, lenta, quase imperceptível, e o pior, sem volta. Enquanto vocês passavam por agruras diante de inimigo tão sórdido, eu vagava num ilusório mundo. A verdade, pobres soldados, é que criei uma gaiola e nela me tornei prisioneiro de minha própria imaginação. Enquanto o sofrimento de vocês nunca tinha fim e em cada investida do implacável inimigo deixava seqüelas inapagáveis, eu me achava absorto num mundo de faz de contas, incapaz de me sensibilizar com vossas dores. Diante de uma fragilidade repugnante e uma covardia escancarada, deixei que suas vidas fossem ceifadas sem misericórdia. Nos raros momentos que saia dos meus delírios e sentia o contraste da realidade com suas cores mórbidas, não fui corajoso para correr em auxílio de vossas vidas; preferi me recolher, constrangido por não ajudá-los. Pouco ou nada de acalento serve para este momento, mas quero que saibam que apesar da minha inércia, clamei inúmeras vezes ao Pai Maior, em orações fervorosas pela segurança de vossas vidas. Levarei por toda existência essa culpa irreparável que tal como uma chaga que nunca do corpo terá cura. Agora não chamarei vocês de guerreiros. Quero, se permitem, nesse momento derradeiro, chamá-los de amigos. E digo isso, porque sei que apesar do abismo da morte que deixei cair vários, vocês, poucos sobreviventes, agora em estado tão deplorável, saberão me perdoar, entender que apesar de tudo isso ter acontecido, não foi por crueldade que permitir que nossa loucura esteja a um passo da consumação. Só agora, amigos, percebo, que a queda de vocês significava minha morte; que a alegria de vocês significava minha felicidade. Mas agora é tarde. Resta-nos muito pouco, inclusive o tempo, que agora já representa uma dádiva diante de tanto sofrimento. Vamos, amigos, a escuridão da loucura não se fará demorar, logo mais ela nos abraçará e aí nada mais restará. Agora será nosso derradeiro momento juntos, depois ficaremos, eternamente separados pelo pó e pela escuridão. Vocês a terra retornarão, voltarão ao pó, enquanto a mim, o lobo da loucura virá devorar minha alma e serei entregue nas mãos de meus algozes. Frio, escuridão, dores e lamentos serão refeições pra minha alma. Mas deixo com vocês uma certeza: meus inimigos não poderão tirar algo que tenho tão minúsculo e imperceptível à vista deles, a fé no Pai Maior, pois sei que na sua misericórdia infinita se lembrará deste desventurado filho no momento do julgamento final. Descansem em paz, amigos.
CRÔNICA DE UMA BOLADA NA CABEÇA!
Era domingo e naquela manhã o sol mais do que nunca era majestoso, cenário perfeito pra "pegar aquela praia". O resultado não foi outro, o pessoense rumou em direção ao atlântico para curtir aquele programa bom e barato. Não demorou e o trânsito de banhistas era intenso, ainda mais porque era dia de maré alta e a passagem na beira da praia era estreitíssima. Era um vai e vem interminável, mesclado de pessoas as mais variadas: feias, bonitas, magras, gordas, jovens, velhas...etc. Como não poderia deixar de ser, lá também estávamos, jogadores de frescobol, securas inveteradas, fixando nosso espaço. Aliás, espaço já consagrado pelo longo tempo do frescobol praticado ali, numa pequena faixa localizada entre o Hotel Tambaú e o Busto de Tamandaré. Feito o alongamento de praxe, lá vou eu jogar com Rafael, parceiro e treinador. Começamos a jogar e, minutos depois, se junta a nós Jailma para formar uma trinca. Se jogar em dupla num espaço reduzido é temeroso, o que dizer então uma trinca! Mesmo assim continuamos tentando jogar. Eu não estava muito a vontade porque tinha mais preocupação com as pessoas do que propriamente com o jogo; mas ainda assim continuávamos tentando jogar. Quando o jogo começou a encaixar e as batidas se tornaram mais consistentes, eis que acontece aquilo que mais temíamos, ou quem sabe aquilo que estava previsto para acontecer mais cedo ou mais tarde. Jailma, uma das mais agressivas jogadoras da praia, dispara um torpedo daqueles, a bolinha vai tinindo veloz ao encontro da raquete de Rafael, porém, quis o destino, que naquele momento se mostrou travesso, que Rafael não conseguisse devolver legal pra mim, então, tal como se fora um foguete, a bolinha ganha o céu; parecia querer tocar nas nuvens, mas como tudo que sobe uma hora desce, ela, marotamente, em meio a tantas pessoas, resolveu aterrissar carinhosamente na cabeça de um homem que era, digamos assim, nada compreensivo. Tentem imaginar um ovo podre jogado na cabeça ou quem sabe aquele inesperado “tapa no pé do ouvido”! Pois bem, aquela ingênua bola, que despretensiosamente foi acertar na cabeça daquela desatenta alma, teve todo aquele efeito devastador. Eu, por estar mais próximo do agora tão “desmoralizado”, tão “arrasado” homem, pedi desculpas pelo acontecido. Nunca esquecerei aquele olhar! Os olhos pareciam ter faíscas, e digo com muita segurança que se deles pudessem sair disparos, naquele instante eu não passaria de um cadáver crivado de balas, teria sido executado ali mesmo, sem pena, sem chance alguma de defesa. Confesso que não compreendi as palavras iniciais ditas por ele, talvez por estar descontrolado não conseguisse pronunciar o som preciso das palavras, mas logo depois falou em alto e bom som, de tal forma que eu e toda a orla de Tambaú ouvimos perfeitamente quando ele esbravejou: “Você é um palhaço, ela também é uma palhaça e outro lá também...” Todos que passavam por perto naquele momento e mais aqueles que estavam deitados ou sentados se bronzeando, ficaram mudos, apenas observando, e no fundo talvez estivessem fazendo suas apostas em silêncio, do tipo: “Aposto que o magrão não vai levar o desaforo pra casa”...”Aposto que ele vai quebrar a raquete no quengo do cara”...”Aposto que o pau agora vai comer no centro.” Mas, para decepção do povão, amante de um barraco, fiquei em silêncio, aceitando pacificamente aquele cargo a que fui promovido, e diga-se de passagem não é nenhuma vergonha, porque palhaço diverte, palhaço é alegria; só não me peça pra colocar aquela bolinha no nariz; é ridículo!
Infelizmente, Jailma não teve o mesmo espírito de gelo; talvez, quem sabe, tenha pensando: “Já que esses homens frouxos não se manifestam, então deixa comigo, que neguinho vai ver que comigo o buraco é mais embaixo!” A partir daquele momento aquela mulher tão simpática, tão sorridente, se transformou. E que transformação! Como uma metralhadora ensandecida, nossa colega de frescobol começou a soltar o verbo. “As juras de amor” foram intensas. De nada adiantavam meus apelos pacifistas pedido calma, calma. A mulher era a própria encarnação de uma indígena tabajara, doida pra pegar homem branco pra assenta-lhe o cacete! O pobre do homem que no início estava se achando a própria bala que matou John Lennon, deve ter se arrependido de mexer na onça com vara tão curta. A verdade é que ele foi prudente o bastante para guardar distância naquela discussão acalorada, caso contrário, não sobraria dúvida que o coitado voltaria pra casa com a marca de uma belíssima bofetada de nossa amazona intrépida do frescobol. Graças a Deus toda aquela contenda ficou só no bate-boca. Lembro que minutos depois ele passou de volta, mas com uma atitude bem diferente, mais desconfiado do que um rato perto de ratoeira.
Pra quem joga frescobol é importante ter em mente que uma pessoa, quando atingida por uma bola, terá uma reação que pode ser de indiferença, pode ser de compreensão e, principalmente, também de incompreensão, como foi o caso. Pra este último caso é que se deve ter cuidado, não revidar, porque convenhamos, ninguém gosta de levar uma bolada; a agressão verbal é apenas uma reação de algo que ela não gostou, de algo que a fez se sentir importunada. É disso, fundamentalmente, todos que jogam frescobol devem ter em mente: qualquer pessoa tem o direito de reclamar, não importa se foi uma bola devagar ou forte; ela está no direito de reclamar.
Agora, depois de baixada a poeira, confesso que pra esse episódio, excepcionalmente, achei que aquele indivíduo fosse merecedor de um chega pra lá. De uma próxima vez, se ele passar e a bolinha bater, estando Jailma por perto, ele vai pegar a bolinha carinhosamente e vai dizer: “Desculpe por ter atrapalhado, da próxima vez terei mais cuidado de passar distante.”
Estive contigo nesta noite que passou. Como são raros esses momentos; tão raros que conto nos dedos. O encontro, assim como os poucos outros, foi inesperado, súbito, ao mesmo tempo em que foi profundamente, cegamente, loucamente desejado por mim. Você deve ter percebido minha insegurança ao me aproximar, mas você me deixou a vontade e aí pude te olhar com calma e me encantar com teus traços. Nada em você mudou. Você é a mulher mais bonita do mundo? Não creio, mas é a única que consegue iluminar meus olhos. Depois de tantos anos você ainda carregava aquele feitiço no olhar, aquela magia no sorriso que só eu percebo e mais ninguém. Pela primeira vez repousei minha cabeça em teu colo, meus cabelos receberam teu afago e me entreguei a tua vontade, mas você não se atreveu a nada. Olhamo-nos como nunca tínhamos nos olhado antes e você quis ler algo nos meus olhos, o que não foi difícil, pois meu sentimento por você é transparente, sem qualquer névoa que possa levantar o menor sinal de dúvida. Procurei algo em teu olhar que pudesse me agarrar e vi que deles aos meus havia como se fosse um arco-íris. Havia algo diferente no ar. A sensação de que poderia escutar algo de seus lábios era forte. Senti que estava prestes a ser teu confidente, que a qualquer momento um segredo seria revelado. Mas aí, a luz do sol anunciando um novo dia e o barulho de um carro me fez perdê-la; acabara de acordar de um sonho.

03.02.2010

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