segunda-feira, 4 de abril de 2011

SINCERO ARREPENDIMENTO

Valorosos guerreiros, o fim não se fará demorar. Para vocês, poucos sobreviventes, mas leais e incansáveis lutadores, digo de coração em prantos que nossa queda é inevitável. Bem sei que fui o único causador para um cenário tão desolador. Sob meu comando vocês encontraram a desventura, foram entregues ao inimigo impiedoso e sofreram vagarosamente uma crueldade inimaginável. Não dei ouvido aos clamores de todos vocês quando pediam providências para a aproximação do perigo. Vocês souberam defender seus postos, mas diante da invasão sempre constante o enfraquecimento de vocês bravos guerreiros não demorou. E aí começou uma derrota, lenta, quase imperceptível, e o pior, sem volta. Enquanto vocês passavam por agruras diante de inimigo tão sórdido, eu vagava num ilusório mundo. A verdade, pobres soldados, é que criei uma gaiola e nela me tornei prisioneiro de minha própria imaginação. Enquanto o sofrimento de vocês nunca tinha fim e em cada investida do implacável inimigo deixava seqüelas inapagáveis, eu me achava absorto num mundo de faz de contas, incapaz de me sensibilizar com vossas dores. Diante de uma fragilidade repugnante e uma covardia escancarada, deixei que suas vidas fossem ceifadas sem misericórdia. Nos raros momentos que saia dos meus delírios e sentia o contraste da realidade com suas cores mórbidas, não fui corajoso para correr em auxílio de vossas vidas; preferi me recolher, constrangido por não ajudá-los. Pouco ou nada de acalento serve para este momento, mas quero que saibam que apesar da minha inércia, clamei inúmeras vezes ao Pai Maior, em orações fervorosas pela segurança de vossas vidas. Levarei por toda existência essa culpa irreparável que tal como uma chaga que nunca do corpo terá cura. Agora não chamarei vocês de guerreiros. Quero, se permitem, nesse momento derradeiro, chamá-los de amigos. E digo isso, porque sei que apesar do abismo da morte que deixei cair vários, vocês, poucos sobreviventes, agora em estado tão deplorável, saberão me perdoar, entender que apesar de tudo isso ter acontecido, não foi por crueldade que permitir que nossa loucura esteja a um passo da consumação. Só agora, amigos, percebo, que a queda de vocês significava minha morte; que a alegria de vocês significava minha felicidade. Mas agora é tarde. Resta-nos muito pouco, inclusive o tempo, que agora já representa uma dádiva diante de tanto sofrimento. Vamos, amigos, a escuridão da loucura não se fará demorar, logo mais ela nos abraçará e aí nada mais restará. Agora será nosso derradeiro momento juntos, depois ficaremos, eternamente separados pelo pó e pela escuridão. Vocês a terra retornarão, voltarão ao pó, enquanto a mim, o lobo da loucura virá devorar minha alma e serei entregue nas mãos de meus algozes. Frio, escuridão, dores e lamentos serão refeições pra minha alma. Mas deixo com vocês uma certeza: meus inimigos não poderão tirar algo que tenho tão minúsculo e imperceptível à vista deles, a fé no Pai Maior, pois sei que na sua misericórdia infinita se lembrará deste desventurado filho no momento do julgamento final. Descansem em paz, amigos.

Um comentário:

  1. eu interpretatia como esse texto um adeus, um texto de despedida! profundo, porém triste d+ . Beijos e fica com Deus.

    ResponderExcluir

Seguidores