sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Lancei meus questionamentos ao vento e lá se foram, sem rumo, perdidos nas incertezas, levados pela conveniência dos acontecimentos.

Encontraram muitos corações e em todos eles pousaram em busca de respostas.

Do coração do indeciso saíram desorientados; do preguiçoso quase desistiram de sair; do aventureiro saíram mais curiosos; do orgulhoso, saíram calados; do covarde saíram com medo; do enamorado saíram suspirando.

E assim foi...em tantos corações pousaram, mas não encontravam as respostas que tanto procuravam.

Mas no derradeiro, em um coração moribundo, prestes a dar suas últimas batidas, foi que encontraram as resposta tão esperadas.

A vida é curta o bastante quando se procura os porquês da vida e longamente insossa quando não as procura.

A vida é uma filosofia quando se tenta compreender; mas uma batalha quando o ter supera o ser.

Uma vida simples pode ser tão rica em sentimentos quanto uma vida opulenta pode ser tão medíocre espiritualmente.

Uma vida com amor representa um coração sadio; sem ela o coração permanece frio.

A vida é um presente que devemos conservar em pé, aguçada, pronta para os desafios que vão resulta ora em vitórias, ora em derrotas, mas sempre válidas como experiência.

E devemos demonstrar a uma única pessoa nosso potencial e vontade de fazer: a nós mesmos.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Para Decir Adios é um dos mais belos boleros, nos faz refletir como é doloroso o fim de um amor. A cena do clip mostra tão claramente o quanto o orgulho pode destruir uma fortaleza de amor se não tomamos cuidado. "Para Decir Adios", toca fundo na alma.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011


Como é triste ver o amor:
Sucumbir diante do orgulho ferrenho;
Se retrair diante de um capricho irresponsável;
Agonizar diante de uma indiferença;
Perder o fôlego diante da rotina;
Afundar diante de uma suspeita;
Se acorrentar diante uma insegurança;
Se humilhar diante da falta de amor próprio.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011


Nessa calma noite que silencia tantos corações adormecidos, quero me lançar em teus braços e acalmar meu agitado amor. Essa angústia que sufoca n’alma só finda quando ao teu lado estou; minha alma precisa respirar teu cheiro, precisa se alimentar de teu sorriso.
Ao teu lado minha palavra cala, meus problemas fogem e meus olhos descansam em tua imagem sublime.
Como teu amor me faz bem!
Nessa noite em que tudo a volta é secundário, quero segurar tua mão e seguir, pois teu amor é meu norte. Teu amor é uma estrada segura onde posso seguir e chegar no remanso do teu afetuoso abraço.
Como teu amor me faz bem.



Sei que nossas almas, no silêncio de nossos corpos adormecidos, estão juntas, valsando pela madrugada estrelada e em nossos olhares juras de amor incondicional selam nosso romance imortal.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

DECEPÇÃO



Há momentos na vida que é tão difícil tomar uma decisão, a alma parece amedrontada, o coração parecer estar em pedaços.
Mas o destino nos impõe essa situação, não nos dá uma alternativa “b”.
Algumas vezes nossos atos são conseqüências dos atos de outras pessoas, que por serem tão especiais, acabam nos obrigando a tomar uma decisão que não queríamos.
Mas o tempo é um forte aliado, ameniza, cura feridas e, principalmente, mostra a verdadeira face das coisas como elas de fato são.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ah...um bom bolero é sempre irresistível.
Se você conhecer alguém que curte um bolero - o que vai ser bem difícil, diga-se de passagem - saiba que você conheceu alguém romântico, de coração mole, que fica suspirando por qualquer bobagem. Meu gosto pelo bolero veio da minha adolescência, quando meu pai, nos fins de semana, colocava um velho disco de bolero e ficava no terraço tomando sua cervejinha. Ficava de olhar perdido na rua, certamente relembrando seus tempos de boemia ou quem sabe de seus amores do passado.
Contigo Aprendi, uma das canções mais conhecidas do gênero, sintetiza bem o sentimento de alguém que amou e soube cativar, reconhecer tudo que passou.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011


Quando você se foi...

Quando você se foi pensei que estivesse tudo bem, que a vida continuaria seu rumo sem grandes problemas, o sol continuaria a nascer e depois dar lugar a lua, sempre assim, nesse vai e vem. De fato nada mudou lá fora, mas aqui dentro do meu peito nada é mais como antes. 
Quando você se foi abriu-se um vazio que no primeiro momento eu não tinha noção do seu tamanho, mas com o passar dos dias as coisas foram se revelando e aí pude ver claramente o vácuo que ficou em minha vida sem você.
Quando você se foi pude perceber o quanto é doloroso olhar o céu estrelado e me ver naquele momento sozinho, sem você ao meu lado sorrindo, me beijando, sem sua mão junta a minha mão.
Quando você se foi achei que poderia encontrar o brilho do seu olhar em outros olhos, mas percebi, tristemente, que o brilho dos seus olhos é único, assim também como é único o seu sorriso, o seu jeito meigo...que você era única e especial.
Quando você se foi uma página da minha vida foi virada e talvez tenha sido a única página onde não tenha ficado nenhum espaço em branco, porque com você ao meu lado aprendi a viver intensamente cada segundo, aprendi que o verdadeiro amor está acima de qualquer rótulo ou estética.
Quando você se foi aprendi algo que nunca mais esquecerei, que amar é, sem dúvida alguma, o único sentido de se estar vivo, e feliz é aquele que pode dizer que viveu um grande amor, pois passar pela terra e não viver um amor verdadeiro é deixar escapar de aprender o sentido da vida.
Quando você se foi, minhas noites se tornaram tão longas e difíceis...mas no fundo, apesar da dor, sinto um conforto ao saber que em algum momento da minha vida tive a companhia de alguém tão especial em minha vida como você.
Quando você se foi nunca mais minha vida foi a mesma.



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Ai que saudades do meu tempo de criança. "Problema" era uma palavra que eu desconhecia e o tempo era de uma lentidão que dava gosto sentir. Soltava pipa, pegava tanajura, jogava travinha na rua, tocava campainha das casas e corria pra me esconder. Comparando com curtição das crianças de hoje, na minha época era tudo muito rústico, mas com muita criatividade. Mas deixar estar, daqui a mais ou menos cinquenta anos volto a fazer tudo de novo, ou quase tudo.
O labor do dia aquieta a alma apaixonada, mas quando a noite surge e com ela as lembranças daquele amor, a turbulência é medonha, o aperreio é grande, e o resultado é a companhia ingrata da insônia madrugada adentro.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Penosa estrada


Meu sangue goteja incessante na estrada que vou trilhando. A mancha vermelha deixada pelo caminho é prova de meu padecimento silencioso na longa jornada da vida. Meu tímido sorriso esconde uma dor pungente que fragiliza minha alma; meu silêncio esconde um grito de desespero e revolta que desvaira meu espírito. É na noite fria e silenciosa da madruga que me deixo soltar, cair a máscara, e me mostro ao espelho da consciência como de fato sou; e como é difícil me ver.

sábado, 25 de junho de 2011

filho da lua...filho da noite

Só na escuridão saio do meu abrigo e encaro o agora mundo opaco.
Minha beleza não é por completa, mas é assim que a segurança me abraça.
Sou mais um filho da noite buscando transformar a beleza no fundo negro de uma cortina.
Minha desenvoltura é tímida, minha natureza espontânea é matemática.
Apesar dos morcegos darem a certeza da noite, sou cauteloso, temo o grande inimigo; a luz.
Sou um filho da lua que busca seu alimento no frio escuro de uma rua deserta.
Que busca um pouco de calor sob um solitário poste de luz.
Sou um filho da noite que acompanha a marcha silenciosa de um grupo de corações gelados.
A madrugada longa e triste me espera, abocanha e tritura meus sonhos.
Sou um filho da lua que tem na grande escuridão a sua sombra.
Numa esquina qualquer, sombria, fico imóvel, sem esperar qualquer coisa ou alguém.
No horizonte reina ainda a escuridão e aqui, quase deserto, é possível ver com dificuldade pessoas, correndo ali, cruzando outra esquina, todas silenciosas, todas culpadas.
São almas atormentadas a se cruzarem, mas sem se perceberem, cada qual absorta com suas próprias mágoas.
Sou filho da lua, sou filho da noite. Fito novamente o horizonte e um leve tom alaranjado desponta; é a luz, é o astro maior preparando sua chegada sempre triunfal, alardeado pelo canto vigoroso de um galo.
Sou filho da lua, sou filho da noite. É chegada minha hora de correr feito bicho, em busca de abrigo seguro, onde a luz não consiga me envolver, onde ela não consiga me mostra para o mundo.
As criaturas da noite agora dão lugar aos primeiros pássaros neste último suspiro de madrugada. O silêncio cai por terra, ferido mortalmente. É o dia que vem nascendo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Quando precisar...(DEUS)

Quando em um daqueles dias, antes de tirar os pés da cama, sentir que o amanhecer já reserva o gosto insosso da vida cotidiana, vem ficar um pouco ao meu lado e sorve de minha fonte inesgotável um pouco do mel, isso ajudará a adocicar tua alma frente à batalha diária pela vida.

Quando em um daqueles dias, antes mesmo de cair à noite, sentir que a escuridão da insegurança e do medo o perturba, vem ficar um pouco ao meu lado e sorve de minha fonte inesgotável um pouco de chama que ajudará a iluminar o que está a tua volta e seguirás firme teu caminho em meio a claridade.

Quando em um daqueles dias, mesmo em meio ao agito da metrópole, sentir o silêncio sufocante da solidão, vem ficar um pouco ao meu lado e sorve um pouco do meu som harmonioso que te dará um ritmo constante e prazeroso.

Quando em um daqueles dias, mesmo no verão escaldante, sentir que passa por tempestade agitando tua alma, vem ficar um pouco ao meu lado e sorve um pouco de minha paz e assim encontrará um abrigo seguro que nada de grave possa te acontecer.

domingo, 1 de maio de 2011

JOGAR

O mundo por fora desta janela fechada no meu quarto vai girando, seguindo seu curso, conforme a vontade do destino. Lá fora uma efervescência de fatos, ora sincronizados, ora na mais perfeita bagunça; os famosos choques da vida.
O jogo da vida, além desta janela, nunca pára. São pessoas ganhando e perdendo. Alguns, experientes, sábios pelos amargos frutos da vida, vão colecionando fragmentos de vitórias aqui e ali. Outros, afoitos, apostam tudo por tão pouco, sem noção do preço a pagar. Muitos preferem sequer jogar, escondem-se em qualquer beco da vida, achando-se seguros. Mas não há lugar seguro. Porque tudo é um jogo. Todos têm que pegar suas fichas e arriscar, administrar suas apostas; ficar inerte é acabar se tornando uma aposta na arriscada mão de um jogador instável; o destino.
Mesmo com as cortinas fechadas, este quarto não está de todo na escuridão completa. O astro rei, querendo alegrar ou lançar desejos de curiosidade em minha alma, lança fios de luzes que vão ondulando com o movimento lento das cortinas. De fato o sol nasceu para todos. Mas aqui, neste minúsculo espaço, onde meu mundo é alicerçado na mais galopante imaginação, as coisas simplesmente não acontecem. É uma marcha em círculo. Tudo passa, tudo volta, e ainda estou no mesmo ponto de partida.
Levado pelos fios delicados da luz, abro a janela timidamente e deixo entrar o ar da vida que vem de fora. Respiro profundamente. Sinto as mais variadas sensações deste ar cosmopolita. Tem cheiro de medo mesclado com luta; alegria com tristeza; confiança com traição; vitórias com quedas; fascinação com terror; ajuda com egoísmo. Porém, o que mais me intrigou foi a sensação do amor que encheu meus pulmões e invadiu minha alma sem contrapeso algum. Não estava acompanhado de dissabor, intriga, perfídia ou qualquer outra mazela que tanto obscurece a vida.
Agora posso compreender que para o amor real, aquele amor incondicional, nada pode ser páreo, tão grande ou profundo quanto ele, o amor.
Recolho as cortinas. Abro firmemente as janelas e deixo a vida entrar efusivamente neste quarto. Não serei aposta. Serei um jogador que vai para o jogo. Minhas cartas são poucas, mas valiosas. São cartas de sede de saber que irão iluminar o que estiver escuro; cartas de compreensão, que irão me aproximar mais da vida, das pessoas; e uma carta que é a mais valiosa de todas, a carta do amor, de valor inestimável, que me fará conhecer o verdadeiro EU e o sentindo da vida.

sábado, 30 de abril de 2011

SÓ POR ESCREVER...

Se deixe levar pela poesia.
Sinta a leveza de espírito ao se aproximar de seu interior.
Respire amor. Procure sabedoria.
Trilhe o caminho da curiosidade.
Busque sempre mais perguntas.
Mantenha o olhar sempre atento, cada movimento a sua volta pode ser uma pista.
Diante da arrogância alheia, não perca seu precioso tempo em embates.
Deixe pensar que são superiores aqueles que gritam para tentar valer sua opinião.
Rir de si mesmo é de um prazer indescritível.
Não se apresse, antes, se apure.
Nos momentos bons, aproveite-os. Nos momentos tormentosos, silencie e ore.
É na humildade que reside o poço da sabedoria espiritual.
Na arrogância cavamos um buraco que impede ver o horizonte.
A felicidade pode estar em todos os cantos, mas para tê-la é preciso saber enxergá-la.
Enfrentar os problemas de frente é sempre um ato inteligente.
Fugir dos problemas será um remédio de pouca eficácia; cedo ou tarde ele voltará, reclamando solução.
Distribuir amor sem se importar em retribuição é sinal que sua alma está em sintonia direta com o mestre Jesus Cristo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

RESSURGINDO DAS CINZAS

No ápice da dor que aquela sinistra madruga me cobriu e desnudou o antigo e temido pesadelo, que invadiu meu mundo real, cuspindo no meu orgulho, que me deixou ao chão como um pobre desgraçado entregue a derrota, sei que anjos céleres vieram em meu socorro e com suas mãos de luzes procuraram aliviar o sofrimento que jorrava do meu peito descontroladamente. O Pai Divino, em sua misericórdia infinita, tocou o coração de uma pessoa que tal como um anjo na terra veio também em meu auxílio. Naquela madrugada sinistra e fria, ela veio, ficou comigo, quis expulsar minha dor. Dela recebi um abraço, que era o abraço de Deus. Seu olhar de compreensão era o olhar de Deus. Suas palavras de conforto eram as palavras de Deus. Suas orações eram o bálsamo de Deus aliviando minha ferida.
A pequena distância que me separava do abismo profundo de sofrimento me dava a certeza do fim. As algemas do medo e as vestes da covardia eram por demais fortes pra que minha angustiada alma pudesse se ver livre. Estava entregue aos meus ocultos inimigos. Esses mesmos inimigos vilmente me pegaram no descanso do meu sono, entrando pela porta do meu lado mais sujo, e me feriram mortalmente. O escárnio foi grande. Para eles minha queda era questão rápida, bastava que eu me levasse pela covardia, fugir buscando o beco sem saída. Como eles queriam ter o poder de controlar minhas mãos!
Mas eles não contavam com o meu medo. Medo sim. Mas foi através do medo que a força Divina agiu em mim. Foi o medo que cerrou as portas de uma queda e me fez ressurgir das cinzas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Tempo...

O tempo pode passar lento ou rápido, depende da circunstância da vida que nos encontramos. Naquele momento da vida onde a angústia parece ser a pauta diária, o relógio faz seu percurso circular tão vagarosamente que ficamos com a impressão que o tempo parou. Por outro lado, quando a harmonia e os sonhos realizados andam juntos em determinada fase da vida, o tempo toma uma velocidade como se os ponteiros estivessem sempre se adiantando mais do que deveriam. É o destino como querendo nos ensinar o jogo da vida. Na dor é que apuramos nossa sensibilidade, crescemos humanamente. Pra esse ensinamento, demanda tempo, por isso o lento compasso das horas. Na alegria por vezes nos perdemos, deixamos comandar nosso ego, e por isso o tempo é curto; é necessário.
Mas tudo na vida passa, não há nada que seja duradouro. A vida se extingue.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SINCERO ARREPENDIMENTO

Valorosos guerreiros, o fim não se fará demorar. Para vocês, poucos sobreviventes, mas leais e incansáveis lutadores, digo de coração em prantos que nossa queda é inevitável. Bem sei que fui o único causador para um cenário tão desolador. Sob meu comando vocês encontraram a desventura, foram entregues ao inimigo impiedoso e sofreram vagarosamente uma crueldade inimaginável. Não dei ouvido aos clamores de todos vocês quando pediam providências para a aproximação do perigo. Vocês souberam defender seus postos, mas diante da invasão sempre constante o enfraquecimento de vocês bravos guerreiros não demorou. E aí começou uma derrota, lenta, quase imperceptível, e o pior, sem volta. Enquanto vocês passavam por agruras diante de inimigo tão sórdido, eu vagava num ilusório mundo. A verdade, pobres soldados, é que criei uma gaiola e nela me tornei prisioneiro de minha própria imaginação. Enquanto o sofrimento de vocês nunca tinha fim e em cada investida do implacável inimigo deixava seqüelas inapagáveis, eu me achava absorto num mundo de faz de contas, incapaz de me sensibilizar com vossas dores. Diante de uma fragilidade repugnante e uma covardia escancarada, deixei que suas vidas fossem ceifadas sem misericórdia. Nos raros momentos que saia dos meus delírios e sentia o contraste da realidade com suas cores mórbidas, não fui corajoso para correr em auxílio de vossas vidas; preferi me recolher, constrangido por não ajudá-los. Pouco ou nada de acalento serve para este momento, mas quero que saibam que apesar da minha inércia, clamei inúmeras vezes ao Pai Maior, em orações fervorosas pela segurança de vossas vidas. Levarei por toda existência essa culpa irreparável que tal como uma chaga que nunca do corpo terá cura. Agora não chamarei vocês de guerreiros. Quero, se permitem, nesse momento derradeiro, chamá-los de amigos. E digo isso, porque sei que apesar do abismo da morte que deixei cair vários, vocês, poucos sobreviventes, agora em estado tão deplorável, saberão me perdoar, entender que apesar de tudo isso ter acontecido, não foi por crueldade que permitir que nossa loucura esteja a um passo da consumação. Só agora, amigos, percebo, que a queda de vocês significava minha morte; que a alegria de vocês significava minha felicidade. Mas agora é tarde. Resta-nos muito pouco, inclusive o tempo, que agora já representa uma dádiva diante de tanto sofrimento. Vamos, amigos, a escuridão da loucura não se fará demorar, logo mais ela nos abraçará e aí nada mais restará. Agora será nosso derradeiro momento juntos, depois ficaremos, eternamente separados pelo pó e pela escuridão. Vocês a terra retornarão, voltarão ao pó, enquanto a mim, o lobo da loucura virá devorar minha alma e serei entregue nas mãos de meus algozes. Frio, escuridão, dores e lamentos serão refeições pra minha alma. Mas deixo com vocês uma certeza: meus inimigos não poderão tirar algo que tenho tão minúsculo e imperceptível à vista deles, a fé no Pai Maior, pois sei que na sua misericórdia infinita se lembrará deste desventurado filho no momento do julgamento final. Descansem em paz, amigos.
CRÔNICA DE UMA BOLADA NA CABEÇA!
Era domingo e naquela manhã o sol mais do que nunca era majestoso, cenário perfeito pra "pegar aquela praia". O resultado não foi outro, o pessoense rumou em direção ao atlântico para curtir aquele programa bom e barato. Não demorou e o trânsito de banhistas era intenso, ainda mais porque era dia de maré alta e a passagem na beira da praia era estreitíssima. Era um vai e vem interminável, mesclado de pessoas as mais variadas: feias, bonitas, magras, gordas, jovens, velhas...etc. Como não poderia deixar de ser, lá também estávamos, jogadores de frescobol, securas inveteradas, fixando nosso espaço. Aliás, espaço já consagrado pelo longo tempo do frescobol praticado ali, numa pequena faixa localizada entre o Hotel Tambaú e o Busto de Tamandaré. Feito o alongamento de praxe, lá vou eu jogar com Rafael, parceiro e treinador. Começamos a jogar e, minutos depois, se junta a nós Jailma para formar uma trinca. Se jogar em dupla num espaço reduzido é temeroso, o que dizer então uma trinca! Mesmo assim continuamos tentando jogar. Eu não estava muito a vontade porque tinha mais preocupação com as pessoas do que propriamente com o jogo; mas ainda assim continuávamos tentando jogar. Quando o jogo começou a encaixar e as batidas se tornaram mais consistentes, eis que acontece aquilo que mais temíamos, ou quem sabe aquilo que estava previsto para acontecer mais cedo ou mais tarde. Jailma, uma das mais agressivas jogadoras da praia, dispara um torpedo daqueles, a bolinha vai tinindo veloz ao encontro da raquete de Rafael, porém, quis o destino, que naquele momento se mostrou travesso, que Rafael não conseguisse devolver legal pra mim, então, tal como se fora um foguete, a bolinha ganha o céu; parecia querer tocar nas nuvens, mas como tudo que sobe uma hora desce, ela, marotamente, em meio a tantas pessoas, resolveu aterrissar carinhosamente na cabeça de um homem que era, digamos assim, nada compreensivo. Tentem imaginar um ovo podre jogado na cabeça ou quem sabe aquele inesperado “tapa no pé do ouvido”! Pois bem, aquela ingênua bola, que despretensiosamente foi acertar na cabeça daquela desatenta alma, teve todo aquele efeito devastador. Eu, por estar mais próximo do agora tão “desmoralizado”, tão “arrasado” homem, pedi desculpas pelo acontecido. Nunca esquecerei aquele olhar! Os olhos pareciam ter faíscas, e digo com muita segurança que se deles pudessem sair disparos, naquele instante eu não passaria de um cadáver crivado de balas, teria sido executado ali mesmo, sem pena, sem chance alguma de defesa. Confesso que não compreendi as palavras iniciais ditas por ele, talvez por estar descontrolado não conseguisse pronunciar o som preciso das palavras, mas logo depois falou em alto e bom som, de tal forma que eu e toda a orla de Tambaú ouvimos perfeitamente quando ele esbravejou: “Você é um palhaço, ela também é uma palhaça e outro lá também...” Todos que passavam por perto naquele momento e mais aqueles que estavam deitados ou sentados se bronzeando, ficaram mudos, apenas observando, e no fundo talvez estivessem fazendo suas apostas em silêncio, do tipo: “Aposto que o magrão não vai levar o desaforo pra casa”...”Aposto que ele vai quebrar a raquete no quengo do cara”...”Aposto que o pau agora vai comer no centro.” Mas, para decepção do povão, amante de um barraco, fiquei em silêncio, aceitando pacificamente aquele cargo a que fui promovido, e diga-se de passagem não é nenhuma vergonha, porque palhaço diverte, palhaço é alegria; só não me peça pra colocar aquela bolinha no nariz; é ridículo!
Infelizmente, Jailma não teve o mesmo espírito de gelo; talvez, quem sabe, tenha pensando: “Já que esses homens frouxos não se manifestam, então deixa comigo, que neguinho vai ver que comigo o buraco é mais embaixo!” A partir daquele momento aquela mulher tão simpática, tão sorridente, se transformou. E que transformação! Como uma metralhadora ensandecida, nossa colega de frescobol começou a soltar o verbo. “As juras de amor” foram intensas. De nada adiantavam meus apelos pacifistas pedido calma, calma. A mulher era a própria encarnação de uma indígena tabajara, doida pra pegar homem branco pra assenta-lhe o cacete! O pobre do homem que no início estava se achando a própria bala que matou John Lennon, deve ter se arrependido de mexer na onça com vara tão curta. A verdade é que ele foi prudente o bastante para guardar distância naquela discussão acalorada, caso contrário, não sobraria dúvida que o coitado voltaria pra casa com a marca de uma belíssima bofetada de nossa amazona intrépida do frescobol. Graças a Deus toda aquela contenda ficou só no bate-boca. Lembro que minutos depois ele passou de volta, mas com uma atitude bem diferente, mais desconfiado do que um rato perto de ratoeira.
Pra quem joga frescobol é importante ter em mente que uma pessoa, quando atingida por uma bola, terá uma reação que pode ser de indiferença, pode ser de compreensão e, principalmente, também de incompreensão, como foi o caso. Pra este último caso é que se deve ter cuidado, não revidar, porque convenhamos, ninguém gosta de levar uma bolada; a agressão verbal é apenas uma reação de algo que ela não gostou, de algo que a fez se sentir importunada. É disso, fundamentalmente, todos que jogam frescobol devem ter em mente: qualquer pessoa tem o direito de reclamar, não importa se foi uma bola devagar ou forte; ela está no direito de reclamar.
Agora, depois de baixada a poeira, confesso que pra esse episódio, excepcionalmente, achei que aquele indivíduo fosse merecedor de um chega pra lá. De uma próxima vez, se ele passar e a bolinha bater, estando Jailma por perto, ele vai pegar a bolinha carinhosamente e vai dizer: “Desculpe por ter atrapalhado, da próxima vez terei mais cuidado de passar distante.”
Estive contigo nesta noite que passou. Como são raros esses momentos; tão raros que conto nos dedos. O encontro, assim como os poucos outros, foi inesperado, súbito, ao mesmo tempo em que foi profundamente, cegamente, loucamente desejado por mim. Você deve ter percebido minha insegurança ao me aproximar, mas você me deixou a vontade e aí pude te olhar com calma e me encantar com teus traços. Nada em você mudou. Você é a mulher mais bonita do mundo? Não creio, mas é a única que consegue iluminar meus olhos. Depois de tantos anos você ainda carregava aquele feitiço no olhar, aquela magia no sorriso que só eu percebo e mais ninguém. Pela primeira vez repousei minha cabeça em teu colo, meus cabelos receberam teu afago e me entreguei a tua vontade, mas você não se atreveu a nada. Olhamo-nos como nunca tínhamos nos olhado antes e você quis ler algo nos meus olhos, o que não foi difícil, pois meu sentimento por você é transparente, sem qualquer névoa que possa levantar o menor sinal de dúvida. Procurei algo em teu olhar que pudesse me agarrar e vi que deles aos meus havia como se fosse um arco-íris. Havia algo diferente no ar. A sensação de que poderia escutar algo de seus lábios era forte. Senti que estava prestes a ser teu confidente, que a qualquer momento um segredo seria revelado. Mas aí, a luz do sol anunciando um novo dia e o barulho de um carro me fez perdê-la; acabara de acordar de um sonho.

03.02.2010

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Um gélido vento vem anunciar
A chegada de dolorosa estação
Que fustigará inclemente minha alma
Com a ausência do teu olhar

Com jeito simples e meigo
Conquistaste palmo a palmo meu descolorido espaço
Espalhando cores agradáveis
Dando ares de vida a um olhar antes sem brilho.

Não ignoro tuas lutas e tuas mágoas
Quando tua aproximação se fez
Nessa natureza egoísta, dura e quase
Impenetrável do meu ser

Em tua caminhada em meus domínios
Encontraste solo pedregoso e labirintos misteriosos
Mas com desvelo e compreensão
Tua luz e calor se fez em minha alma

Agora tua ausência deixará o escuro
Onde antes havia reconfortante luz
Deixará o penoso frio
Onde antes havia aconchegante calor

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PRANTOS NA ESCURIDÃO

O corpo cansado busca um pouco de descanso,
Mas a alma, tão agitada, faz o peito pesar
E o coração, sem culpa e controle, vai padecendo.

Os ponteiros vão e voltam e o tempo vai seguindo sua jornada.
Sua lentidão entra em colisão com a rapidez dos meus batimentos.

Fechar os olhos é abrir a porta para uma perseguição;
Em cada beco escondido nas sombras, apresenta-se uma dor;
É um flagelo que parece nunca ter fim.

O silêncio do quarto escuro não revela os gemidos,
Mas eles estão presentes; sempre.
Na escuridão da madrugada vou ficando a deriva,
Num mar de pensamentos inquietantes.
E o sono, como se fora um cavalo selvagem,
corre solto pelo campo, longe do meu alcance.

Bem longe, o canto do galo anuncia a chegada de um novo dia,
E o fim de mais uma noite angustiante.
Aos poucos o barulho do dia a dia
Mostra que a labuta matinal começou para aqueles que tiveram o sono dos justos.
Energia revigorada, cada um sai para matar seu leão de cada dia.

Dança-se conforme a música,
Faço parte desse ciclo e,
Embora de alma sofrida e corpo cansado,
É o momento de levantar e seguir o rumo;
O rumo até o momento ignorado.

E não vai demorar para chegar o entardecer
Trazendo a noite medonha, pronta para mais um embate.

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